1/9/2001
ACTUAL Cinema português em Nova Iorque Divulgação dos filmes portugueses além-fronteiras António Cabrita
«Palavra e Utopia» E afinal nem sempre tudo está podre no reino da Dinamarca e pelo menos está potável a sua rede hidrográfica e o manancial das imagens. Ou seja, o cinema português vive um momento de alguma euforia e de expansão fora de portas, mesmo que em casa ainda não tenha consigo fisgar de forma decisiva o público. Mas talvez um movimento em boomerang acabe por trazer novidades e com o tempo a desafectação se corrija. Em Veneza nove filmes portugueses participam do certame, e é com certeza a maior embaixada portuguesa dos últimos tempos. E afinal nem sempre tudo está podre no reino da Dinamarca e pelo menos está potável a sua rede hidrográfica e o manancial das imagens. Ou seja, o cinema português vive um momento de alguma euforia e de expansão fora de portas, mesmo que em casa ainda não tenha consigo fisgar de forma decisiva o público. Mas talvez um movimento em boomerang acabe por trazer novidades e com o tempo a desafectação se corrija. Em Veneza nove filmes portugueses participam do certame, e é com certeza a maior embaixada portuguesa dos últimos tempos. Em Nova Iorque, numa retrospectiva de rara pertinência e qualidade, a cinemateca da Brooklyn Academy of Music, proporcionou o visionamento de trinta e quatro filmes portugueses. A iniciativa pertenceu a um jovem português sediado em Nova Iorque, António Pedroso e a uma recém criada Associação para a Promoção do Cinema Português. A selecção dos filmes foi extremamente cuidada e merece aplauso: de Leitão de Barros, aos novíssimos António Ferreira, José Miguel Ribeiro, Sandro Aguilar, Miguel Gomes. Manoel de Oliveira, com sete filmes, é o grande homenageado, mas viram-se também filmes de César Monteiro, Paulo Rocha, Pedro Costa, João Botelho, Teresa Villaverde, António Reis, e Manuela Viegas, João Pedro Rodrigues e Edgar Pêra. «Ossos» A mostra teve como critério o cinema de «autor», o que implica alguma coragem dos programadores, sobretudo tendo em conta que neste momento os EUA recebem pouco e pelo contrário, são um tanto arredios à curiosidade, Isso não demoveu Pedroso e a resposta, pelos ecos que têm chegado não podia ser melhor. Como disse Pedroso ao Público, falando do que o move: «Entre 1974 e meados dos anos 80, passaram-se coisas muito interessantes no cinema português que motivaram uma subida no interesse. O mundo descobriu Oliveira, Botelho, Vasconcelos. Depois o interesse esvaiu-se, o que é normal. Agora há uma nova geração e este ciclo é importante para se saber que o cinema português está a renovar, que há muita energia e criatividade». A mostra teve como critério o cinema de «autor», o que implica alguma coragem dos programadores, sobretudo tendo em conta que neste momento os EUA recebem pouco e pelo contrário, são um tanto arredios à curiosidade, Isso não demoveu Pedroso e a resposta, pelos ecos que têm chegado não podia ser melhor. Como disse Pedroso ao Público, falando do que o move: «Entre 1974 e meados dos anos 80, passaram-se coisas muito interessantes no cinema português que motivaram uma subida no interesse. O mundo descobriu Oliveira, Botelho, Vasconcelos. Depois o interesse esvaiu-se, o que é normal. Agora há uma nova geração e este ciclo é importante para se saber que o cinema português está a renovar, que há muita energia e criatividade». O BAM é uma sala prestigiada e a iniciativa tem tido ecos e público. Refira-se contudo como apontamento negativo a magreza dos apoios concedidos à iniciativa, que não permitiram a edição de um catálogo condigno, sendo o ciclo acompanhado por um pequeno caderno fotocopiado com as fichas dos filmes e pequenas biografias dos realizadores. Entretanto, Manoel de Oliveira, que participou da mostra, voltará a Nova Iorque, na 36º edição do New York Film Festival, certame que reúne 25 películas de 12 países. O festival começa a 12 de Setembro, com a exibição de Va Savoir, de Jacques Rivette e termina no dia 14 de Outubro, com Éloge d'Amour, de Jean-Luc Godard. Vou para Casa será o filme exibido, que já em Cannes teve auspiciosa estreia. Diga-se que Manoel de Oliveira é um «habitué» deste evento, onde a nata nova-iorquina faz um relance sobre o que de melhor o resto do mundo faz no campo do cinema. 7
COMENTÁRIOS AO ARTIGO (1)
ANTERIOR TOPO
Categorias
Entidades
1/9/2001
ACTUAL Cinema português em Nova Iorque Divulgação dos filmes portugueses além-fronteiras António Cabrita
«Palavra e Utopia» E afinal nem sempre tudo está podre no reino da Dinamarca e pelo menos está potável a sua rede hidrográfica e o manancial das imagens. Ou seja, o cinema português vive um momento de alguma euforia e de expansão fora de portas, mesmo que em casa ainda não tenha consigo fisgar de forma decisiva o público. Mas talvez um movimento em boomerang acabe por trazer novidades e com o tempo a desafectação se corrija. Em Veneza nove filmes portugueses participam do certame, e é com certeza a maior embaixada portuguesa dos últimos tempos. E afinal nem sempre tudo está podre no reino da Dinamarca e pelo menos está potável a sua rede hidrográfica e o manancial das imagens. Ou seja, o cinema português vive um momento de alguma euforia e de expansão fora de portas, mesmo que em casa ainda não tenha consigo fisgar de forma decisiva o público. Mas talvez um movimento em boomerang acabe por trazer novidades e com o tempo a desafectação se corrija. Em Veneza nove filmes portugueses participam do certame, e é com certeza a maior embaixada portuguesa dos últimos tempos. Em Nova Iorque, numa retrospectiva de rara pertinência e qualidade, a cinemateca da Brooklyn Academy of Music, proporcionou o visionamento de trinta e quatro filmes portugueses. A iniciativa pertenceu a um jovem português sediado em Nova Iorque, António Pedroso e a uma recém criada Associação para a Promoção do Cinema Português. A selecção dos filmes foi extremamente cuidada e merece aplauso: de Leitão de Barros, aos novíssimos António Ferreira, José Miguel Ribeiro, Sandro Aguilar, Miguel Gomes. Manoel de Oliveira, com sete filmes, é o grande homenageado, mas viram-se também filmes de César Monteiro, Paulo Rocha, Pedro Costa, João Botelho, Teresa Villaverde, António Reis, e Manuela Viegas, João Pedro Rodrigues e Edgar Pêra. «Ossos» A mostra teve como critério o cinema de «autor», o que implica alguma coragem dos programadores, sobretudo tendo em conta que neste momento os EUA recebem pouco e pelo contrário, são um tanto arredios à curiosidade, Isso não demoveu Pedroso e a resposta, pelos ecos que têm chegado não podia ser melhor. Como disse Pedroso ao Público, falando do que o move: «Entre 1974 e meados dos anos 80, passaram-se coisas muito interessantes no cinema português que motivaram uma subida no interesse. O mundo descobriu Oliveira, Botelho, Vasconcelos. Depois o interesse esvaiu-se, o que é normal. Agora há uma nova geração e este ciclo é importante para se saber que o cinema português está a renovar, que há muita energia e criatividade». A mostra teve como critério o cinema de «autor», o que implica alguma coragem dos programadores, sobretudo tendo em conta que neste momento os EUA recebem pouco e pelo contrário, são um tanto arredios à curiosidade, Isso não demoveu Pedroso e a resposta, pelos ecos que têm chegado não podia ser melhor. Como disse Pedroso ao Público, falando do que o move: «Entre 1974 e meados dos anos 80, passaram-se coisas muito interessantes no cinema português que motivaram uma subida no interesse. O mundo descobriu Oliveira, Botelho, Vasconcelos. Depois o interesse esvaiu-se, o que é normal. Agora há uma nova geração e este ciclo é importante para se saber que o cinema português está a renovar, que há muita energia e criatividade». O BAM é uma sala prestigiada e a iniciativa tem tido ecos e público. Refira-se contudo como apontamento negativo a magreza dos apoios concedidos à iniciativa, que não permitiram a edição de um catálogo condigno, sendo o ciclo acompanhado por um pequeno caderno fotocopiado com as fichas dos filmes e pequenas biografias dos realizadores. Entretanto, Manoel de Oliveira, que participou da mostra, voltará a Nova Iorque, na 36º edição do New York Film Festival, certame que reúne 25 películas de 12 países. O festival começa a 12 de Setembro, com a exibição de Va Savoir, de Jacques Rivette e termina no dia 14 de Outubro, com Éloge d'Amour, de Jean-Luc Godard. Vou para Casa será o filme exibido, que já em Cannes teve auspiciosa estreia. Diga-se que Manoel de Oliveira é um «habitué» deste evento, onde a nata nova-iorquina faz um relance sobre o que de melhor o resto do mundo faz no campo do cinema. 7
COMENTÁRIOS AO ARTIGO (1)
ANTERIOR TOPO